Modelos do trabalho na Era Digital

Já diziam nossos antepassados “O trabalho enobrece o homem...” e a data do Primeiro de Maio no Brasil e em muitos países é dedicada aos trabalhadores, um momento de agradecer a atividade, que executamos e o propósito que definimos para nos sentirmos úteis dentro da Sociedade.


Nos idos de 2003 participei como “testemunha praticante” de um evento corporativo, que falava sobre planejamento, experiências e resultados do trabalho no modelo “Home Office” ainda em estágio embrionário aqui no Brasil. Recordo que a primeira enquete que fizemos para engajamento da platéia sobre o tema foi perguntar “Quem nunca levou trabalho da empresa para fazer em casa?”. Resultado: 100% dos presentes confirmaram fazer o “homework corporativo” de forma habitual, sendo parte das vezes com a colaboração remota de outros colegas.


A expectativa das pessoas em relação ao futuro do trabalho é muito influenciada pela experiência vivenciada e quanto maior for a intensidade das mudanças presenciadas, maior será a expectativa de que as mesmas se estabeleçam. Hoje, podemos dizer que a forma de contratação e a interação do trabalho com que muitos de nós estávamos acostumados, mudaram e não mais funcionam como era. As evoluções tecnológicas e sociais ocorridas, em especial com a valorização e o equilíbrio do ativo “tempo” na vida das pessoas, viabilizaram uma nova realidade para a operação do trabalho no mundo corporativo. Assim, entender qual modelo de trabalho à distância, apostar e planejar como fazê-lo na empresa para engajar colaboradores, incluindo os líderes, é fundamental daqui para frente.


Com a pandemia, boa parte das empresas finalmente abriram os olhos para a possibilidade do Home Office como opção funcional para a sua operação e assim, como algumas organizações, que já haviam identificado os benefícios desta implantação (inclusive como medida ao enfrentamento de “crises” em planos de continuidade de negócios) passaram a adotar de maneira orgânica essa prática em sua rotina. É fato também, que muitas destas empresas não estavam preparadas para este passo, o que trouxe problemas, constrangimentos, inseguranças e incertezas, além de apresentar os diversos desafios, inclusive comportamentais para quem trabalha no formato à distância (com certeza muito sentido por aqueles milhares, que estavam tentando se iniciar neste modelo em pleno isolamento social).


Não existe uma receita para uma implantação efetiva do modelo de trabalho (tão pouco um estudo que apresente a melhor relação quantitativa entre as posições remotas e locais deste ambiente “híbrido”), mas esta deve ocorrer sempre respeitando os princípios sociais, a cultura, os valores e o propósito da organização. Há certamente uma curva de aprendizado e o amadurecimento virá com os ajustes decorrentes da prática contínua.


O Home Office e o Teletrabalho são modalidades diferentes de trabalho remoto, inclusive do ponto de vista da Lei. Enquanto o Home Office pode ter um formato de contratação presencial, que por vezes na semana ou um determinado período é executado fora da empresa, o Teletrabalho é um regime exercido preponderantemente fora do ambiente da empresa.


Antes de se adotar um modelo remoto de trabalho é preciso avaliar claramente os impactos de uma decisão como esta, assim o envolvimento de todos os setores da empresa é necessário com o objetivo de se desenvolver um planejamento geral e detalhado de cada área. Para suportar estas definições, o RH e o Jurídico internos, bem como, consultorias e assessorias externas, devem ajudar a empresa a mitigar riscos, adequar e comunicar a política do trabalho remoto, encontrar oportunidades, ampliar a qualidade e os benefícios do uso, estabelecer indicadores e mensurar os resultados obtidos.


Com a utilização destes modelos, um dos grandes desafios observados e oportunidade para a redução de custos foi a readequação e diminuição dos locais físicos, onde as organizações iniciaram a adoção do conceito de “smart offices", disponibilizando recursos para o uso democrático e compartilhado das equipes. Assim é preciso destacar, que tais espaços se encontram em constante evolução e devem ser reavaliados rotineiramente buscando-se levantar e entender as novas necessidades dos usuários deste ambiente.


Para funcionar e prosperar dentro da organização, o trabalho remoto deve ser desenvolvido sob uma cultura de colaboração, confiança, pertencimento, responsabilidade, produtividade e liberdade onde exista a intenção genuína dos colaboradores e do líder de se organizarem para que o trabalho flua e os resultados aconteçam de forma remota ou virtual. Ou seja, é preciso conhecer os recursos disponíveis e as pessoas envolvidas nesta mudança, entendendo se de fato elas se adaptarão e em qual velocidade isto ocorrerá, antes de se falar e definir os critérios para se manter ou modificar as estruturas da empresa em diferentes unidades ou sobre como conectar a gestão do conhecimento e a liderança neste ambiente.


Como medir a eficiência neste novo modelo de trabalho? Esta é uma pergunta frequente e sua resposta está ancorada no tema “Engajamento” no ambiente de trabalho, que sempre deve se manter em níveis elevados como fator para o sucesso das iniciativas e projetos (clima organizacional - nível de favorabilidade encontrado na empresa), no entanto, devemos ressalvar que o trabalho remoto não foi feito (ou ainda não está pronto para todas as atividades) e nem todos preferem trabalhar em casa de forma virtual, por vários motivos diferentes, inclusive de personalidade.


O ambiente de trabalho tem influência direta (positiva ou negativa), na saúde física e emocional dos colaboradores, afetando seu comportamento e desempenho. Desta forma, independente do modelo adotado, a produtividade das equipes deve ser sempre monitorada, avaliada e melhorada com a implementação de métodos de gestão e coaching, que permitam que o trabalho seja entregue de forma efetiva (escopo, qualidade e tempo), reduzindo atividades desnecessárias, evitando condições estressantes e horas improdutivas, fatores responsáveis por parte significativa dos índices de turnover e absenteísmo de uma organização.


A experiência desta nova realidade e os problemas enfrentados certamente ajudarão a construir a resiliência no local de trabalho, independente da onde ele for, fazendo com que as pessoas enfrentem seus limites com determinação para superar cada vez mais os desafios impostos.


Sucesso a todos!



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